Uma falha de comunicação em uma subestação pode significar perda de visibilidade sobre disjuntores, transformadores e relés de proteção no momento exato em que essa visibilidade é mais necessária. É por isso que o setor elétrico está hoje entre os que mais avançam na adoção de redes privativas de telecomunicações no Brasil, ao lado de mineração, logistica e manufatura.

Hoje, a infraestrutura de comunicação é tão essencial quanto os equipamentos elétricos para a operação de uma subestação. Relés de proteção, disjuntores, transformadores e sensores de temperatura e vibração trocam informação constantemente entre si e com o centro de controle. Parte desse tráfego segue o padrão IEC 61850, referência global para automação de subestações, que organiza a comunicação em protocolos como o MMS, usado para supervisão e comandos, e o GOOSE (Generic Object Oriented Substation Event), reservado para sinais de alta prioridade como trip de proteção e intertravamentos.

A essa camada de proteção soma-se o monitoramento contínuo: sensores acompanham tensão, corrente, consumo, temperatura e vibração em transformadores e equipamentos de pátio, viabilizando manutenção preditiva e resposta mais rápida a falhas antes que evoluam para desligamentos.

Onde a rede sem fio privativa entra hoje

A IEC 61850-5 classifica as mensagens de trip de proteção como Tipo 1A, mensagens rápidas cujo tempo de transmissão de referência, para a classe de desempenho mais exigente, chega a apenas 3 milissegundos. Por isso, o cabeamento Ethernet dedicado segue sendo o padrão para o tráfego de proteção dentro do pátio, e essa parte não muda com a chegada da rede privativa.

O papel da rede sem fio é outro: SCADA remoto, telemetria de sensores, videomonitoramento, inspeção por drone e comunicação com equipes de campo, aplicações que não competem com o sinal de trip do relé, mas que hoje dependem de conectividade confiável para sair do papel. É aí que a rede privativa substitui rádios ponto a ponto legados, VPNs sobre link público, ou simplesmente a ausência de conectividade em ativos que ficavam fora de qualquer monitoramento remoto.

O que já está em operação

A Neoenergia implementou uma rede LTE privativa em Taguatinga, no Distrito Federal, com duas estações rádio-base, dentro de um projeto de pesquisa e desenvolvimento conduzido com a Aneel para expandir suas redes elétricas inteligentes. A operação evoluiu desde então: a rede privativa 4G da distribuidora em Brasília já soma 13 sites cobrindo 60% da área de concessão.

A Iberdrola, em seu programa de rede elétrica inteligente na região de Atibaia, reportou queda de 50% na duração das interrupções de energia (indicador DEC) e reduções de 80% na inadimplência e 20% nas perdas não técnicas desde a implantação do projeto. Esses resultados refletem o conjunto da modernização, que inclui automação, sensoriamento e conectividade dedicada, não um efeito isolado da rede de telecomunicações. A distribuidora usa drones conectados a redes privativas 4G e 5G, com câmeras HD, térmicas e sensores Lidar, para inspecionar ativos em locais de difícil acesso sem deslocar equipes até o ponto.

Para dimensionar o mercado: No setor elétrico especificamente, um levantamento apresentado pela Anatel em 2024 apontava concessionárias de energia respondendo por mais de um quarto das outorgas concedidas até aquele momento.

Cobrindo quilômetros sem depender de fibra em todo o trajeto

Subestações raramente estão isoladas. Fazem parte de uma malha que inclui linhas de transmissão, torres e outras subestações a dezenas de quilômetros de distância, nem sempre com fibra óptica disponível em todo o percurso. Para o pátio da subestação, eNodeBs outdoor como o Baicells NOVA 249 cobrem áreas externas amplas, alcançando transformadores, disjuntores e pontos de sensoriamento espalhados pelo terreno, enquanto equipamentos indoor atendem a sala de controle, onde ficam os IEDs e o SCADA local.

Para levar essa conectividade até o centro de operações, soluções de backhaul ponto a ponto como o Mimosa B11 entregam até 1,5 Gbps agregados, com latência de referência de 1 milissegundo e gabinete IP67 para operação contínua em pátios expostos a intempéries. Em trechos mais curtos, ou onde espectro não licenciado é viável, o Mimosa B5c cumpre função semelhante, também com latência de referência abaixo de 1 milissegundo, usando sincronização que permite múltiplos links coexistindo no mesmo site .

O que a rede pública não resolve sozinha

Uma rede privativa opera em espectro próprio, sem competir por capacidade com celulares, aplicativos ou outras empresas na mesma área. Isso importa nos momentos mais críticos: eventos climáticos severos ou picos de demanda são justamente as ocasiões em que redes públicas ficam mais sujeitas a congestionamento, o que pode coincidir com o momento em que o monitoramento da subestação mais importa. A concessionária que opera sua própria rede mantém visibilidade sobre os ativos independente do que acontece na infraestrutura pública ao redor.

A Telesys fornece no Brasil, com mais de 28 anos de trajetória, equipamentos small cells eNodeB e gNodeB Baicells, soluções de backhaul Mimosa e infraestrutura completa para redes privativas, trabalhando com integradores especializados:

  • Portfólio completo: eNodeBs, gNodeBs, backhaul, core network, antenas, acessórios
  • Suporte técnico: Dimensionamento de projeto, cálculo de link budget, planejamento de RF
  • Assistência regulatória: Orientação sobre processo Anatel e documentação técnica
  • Capacitação: Treinamentos para equipe técnica em implementação e otimização
  • Estoque nacional: Disponibilidade imediata
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